Setores que mais contratam e que perdem vagas em Portugal em 2026
Ofertas no IEFP sobem 13,7% em agosto; construção e indústria puxam o emprego, tecnologia e serviços de apoio recuam.

O IEFP recebeu 9.557 ofertas de emprego em agosto de 2026, 13,7% a mais que um ano antes, com altas fortes em transportes, construção, saúde e indústria alimentar. Nos dados do INE do 2.º trimestre, a indústria e a construção lideraram a criação de vagas, enquanto tecnologia e serviços administrativos perderam trabalhadores.
O que aconteceu
Segundo a informação mensal do IEFP, havia 273.723 desempregados registrados no fim de agosto de 2026, 9,3% a menos que em agosto de 2025. Ao longo do mês, o instituto recebeu 9.557 ofertas de emprego e fez 6.081 colocações.
Nas ofertas recebidas no continente, as maiores fatias foram de atividades imobiliárias, administrativas e serviços de apoio (2.688), comércio (1.257), administração pública, educação, saúde e apoio social (1.085) e alojamento e restauração, os restaurantes (991). As maiores altas em relação a agosto de 2025 foram em transportes e armazenagem (+211,1%), agricultura (+55,5%), indústrias alimentares (+34,4%), saúde, educação e apoio social (+32,2%) e construção (+29,8%).
Por grupo profissional, 36,4% das ofertas eram para trabalhadores não qualificados. As que mais cresceram foram as de pessoal administrativo (+81,3%), operadores de máquinas (+33,7%), serviços pessoais e vendedores (+22,9%) e trabalhadores qualificados da indústria e construção (+20,6%).
No Inquérito ao Emprego do INE, a taxa de desemprego caiu para 5,3% no 2.º trimestre de 2026, a menor desde o início da série, em 2011, segundo o Governo. Na análise do Randstad Research aos dados do INE, o emprego cresceu no trimestre sobretudo nas indústrias transformadoras (+30.200 pessoas) e na construção (+21.900), seguidas de educação (+15.100), hotelaria (+13.200), saúde (+12.200) e comércio (+9.500).
| Atividade | Agosto de 2026 | Agosto de 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Imobiliárias, administrativas e serviços de apoio | 2.688 | 2.718 | -1,1% |
| Comércio | 1.257 | 1.152 | +9,1% |
| Administração pública, educação, saúde e apoio social | 1.085 | 821 | +32,2% |
| Alojamento e restauração | 991 | 951 | +4,2% |
| Construção | 531 | 409 | +29,8% |
| Indústrias alimentares | 484 | 360 | +34,4% |
| Transportes e armazenagem | 364 | 117 | +211,1% |
| Agricultura | 342 | 220 | +55,5% |
| Tecnologias de informação e telecomunicações | 86 | 85 | +1,2% |
| Total | 9.315 | 8.133 | +14,5% |
Dados do continente. O total do país, com Açores e Madeira, foi de 9.557 ofertas em agosto de 2026. Ofertas do IEFP são só as vagas comunicadas ao instituto, não todo o mercado.
O que muda para você
Em alta: construção, indústria, transportes e logística, saúde e apoio social, hotelaria e restaurantes. São setores com muitas vagas de entrada e onde a experiência prática pesa.
Em baixa: segundo a mesma análise do INE, telecomunicações, programação e consultoria em informática perderam 18.600 trabalhadores no trimestre (-8,6%), e as atividades administrativas e serviços de apoio perderam 14.200 (-7,6%). A agricultura teve queda de 2.300.
No desemprego registrado, as maiores quedas em um ano foram entre agricultores (-22,3%), trabalhadores qualificados da indústria e construção (-14,8%) e operadores de máquinas (-14,2%). O único grupo com alta foi o de dirigentes e gestores (+8,3%). Especialistas de nível superior quase não mudaram (-0,6%) e representam 12,5% dos desempregados.
O que fazer agora
- Se você tem experiência em obra, logística, indústria ou saúde, priorize essas áreas nas candidaturas.
- Se trabalha com TI ou funções administrativas, reforce o currículo com certificações e esteja pronto para processos mais longos.
- Consulte as ofertas do IEFP no iefponline com a inscrição ativa.
- Considere cursos de curta duração do IEFP para migrar para áreas com mais vagas.
O que isso significa
O mercado português segue aquecido para funções operacionais e técnicas, enquanto perde fôlego em parte dos serviços de escritório e de tecnologia. Para o imigrante, isso significa mais portas abertas em obra, fábrica, transporte e cuidado, e mais concorrência em escritório.
Os números não medem a mesma coisa: o desemprego registrado do IEFP conta quem está inscrito nos centros de emprego, e as ofertas do IEFP são só as vagas comunicadas ao instituto. A taxa do INE vem de um inquérito por amostra. As tendências são compatíveis, mas os valores não devem ser comparados diretamente.
Informação válida em 6 de outubro de 2026.


