Profissões em falta em Portugal: o que dizem EURES, IEFP e ordens
Enfermagem, eletricistas, encanadores, motoristas e tecnologia aparecem em falta; escritório e vendas têm sobra de candidatos.

Portugal relatou falta de enfermeiros, eletricistas, encanadores, motoristas de ônibus e de caminhão, engenheiros civis e desenvolvedores de software, segundo o relatório da rede europeia de emprego EURES sobre 2025, publicado em junho de 2026. Para o imigrante, são áreas com mais chance de vaga, mas várias exigem reconhecimento de diploma ou inscrição em ordem profissional.
O que aconteceu
A Autoridade Europeia do Trabalho publicou em junho de 2026 o relatório EURES sobre escassez e excedentes de mão de obra em 2025. No anexo com a lista por profissão, Portugal aparece entre os países com falta de enfermeiros, eletricistas da construção, encanadores (canalizadores, em Portugal), motoristas de ônibus, motoristas de caminhão pesado, engenheiros civis, desenvolvedores de software, contadores, fisioterapeutas, mecânicos de automóveis, técnicos de ar-condicionado e refrigeração e recepcionistas de hotel.
O mesmo anexo lista Portugal com excesso de candidatos em funções como empregados de escritório, vendedores de loja, ajudantes de cozinha, cuidadores domiciliares, auxiliares de saúde, pintores, engenheiros mecânicos e arquitetos.
A página do portal EURES sobre Portugal, com dados de 2023, aponta como grupos com maior escassez os profissionais de saúde, os trabalhadores do setor de metais e máquinas e os profissionais de tecnologia da informação. Cita ainda médicos de clínica geral e especialistas, motoristas de ônibus, engenheiros civis, trabalhadores da pesca e aquicultura e operadores de máquinas.
Na saúde, a Ordem dos Enfermeiros afirmou em 12 de maio de 2026 que o SNS (Serviço Nacional de Saúde) precisa de mais de 14 mil enfermeiros, segundo a RTP. Entre as empresas, um Eurobarómetro divulgado em junho de 2026 mostrou que 35% das pequenas e médias empresas portuguesas têm muita dificuldade em recrutar trabalhadores qualificados, a terceira maior taxa da União Europeia, segundo o HR Portugal.
| Profissão | Situação relatada por Portugal |
|---|---|
| Enfermeiros | Falta |
| Eletricistas da construção | Falta |
| Encanadores (canalizadores) | Falta |
| Motoristas de ônibus | Falta |
| Motoristas de caminhão pesado | Falta |
| Engenheiros civis | Falta |
| Desenvolvedores de software | Falta |
| Contadores | Falta |
| Fisioterapeutas | Falta |
| Mecânicos de automóveis | Falta |
| Técnicos de ar-condicionado e refrigeração | Falta |
| Recepcionistas de hotel | Falta |
| Empregados de escritório | Sobra |
| Vendedores de loja | Sobra |
| Ajudantes de cozinha | Sobra |
| Cuidadores domiciliares | Sobra |
| Engenheiros mecânicos | Sobra |
| Arquitetos | Sobra |
Lista elaborada pela redação a partir do anexo do relatório EURES 2025 (Autoridade Europeia do Trabalho, junho de 2026). Indica a avaliação nacional, não a situação de cada região.
O que muda para você
Para quem procura emprego, a lista indica onde a concorrência tende a ser menor. Segundo o mesmo Eurobarómetro, 15% das PME portuguesas tentaram recrutar fora da União Europeia nos dois anos anteriores. Entre elas, 18% procuravam trabalhadores da construção, 12% engenheiros industriais ou mecânicos e 9% profissionais de TI.
Várias profissões em falta são reguladas. Enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e engenheiros precisam, em regra, de reconhecimento do diploma estrangeiro e de inscrição na ordem ou entidade profissional antes de exercer. O reconhecimento de graus de ensino superior é pedido no portal gov.pt e segue o Decreto-Lei n.º 66/2018.
Salário: as fontes consultadas não trazem salários oficiais por profissão. Como referência, o salário mínimo nacional é de € 920 em 2026 no continente, e a medida Emprego +Talento do IEFP exige salário de pelo menos € 1.499,15 para apoiar a contratação de jovens com curso superior.
O que fazer agora
- Se a sua profissão é regulada, comece pelo reconhecimento do diploma e pelo contato com a ordem profissional antes de se candidatar.
- Em áreas técnicas (eletricidade, encanamento, mecânica, ar-condicionado), procure cursos e certificados do IEFP para validar a experiência em Portugal.
- Busque vagas no iefponline e no portal EURES, filtrando pela sua área.
- Atualize o currículo no formato europeu e destaque certificações e anos de experiência.
O que isso significa
A falta de mão de obra em Portugal se concentra em saúde, construção, transportes e tecnologia. Ao mesmo tempo, há sobra de candidatos em funções administrativas e de comércio, o que explica a dificuldade de recolocação nessas áreas.
As fontes medem coisas diferentes: o relatório EURES reúne avaliações dos serviços de emprego, o Eurobarómetro é um inquérito a empresas e a Ordem dos Enfermeiros calcula a necessidade do SNS. Elas apontam na mesma direção, mas os números não são comparáveis entre si.
Informação válida em 6 de outubro de 2026.
Fontes
- Autoridade Europeia do Trabalho: anexo do relatório EURES sobre escassez e excedentes 2025
- EURES: informação sobre o mercado de trabalho em Portugal
- EURES: o que revelam os dados mais recentes sobre desequilíbrios no mercado de trabalho
- RTP: Falta de 14 mil enfermeiros coloca SNS em risco de colapso, alerta ordem
- HR Portugal: Portugal é o terceiro país da UE onde as PME têm mais dificuldade em recrutar
- IEFP: Ficha síntese da Medida Emprego +Talento
- gov.pt: Pedir o reconhecimento de graus académicos e diplomas de ensino superior estrangeiros
- APCMC: Salário mínimo nacional para 2026 fixado em € 920


