UMinho: teto de bolseiro sobe para € 161,14 e estudantes protestam dia 21
O teto do preço da cama para bolseiros nas residências públicas subiu de 17,5% para 30% do IAS. Na UMinho, estudantes dizem que quartos individuais passam do limite e marcam manifestação em Gualtar.

Estudantes da Universidade do Minho (UMinho) convocaram uma manifestação para 21 de outubro, às 13h, no campus de Gualtar, em Braga, contra a subida dos preços nas residências universitárias e das propinas (a taxa anual cobrada pela universidade pública), segundo a Braga TV. Pelo Decreto-Lei n.º 148/2026, a cama de um bolseiro numa residência pública pode custar até € 161,14 por mês (30% do IAS); na UMinho, os novos preços valem desde 1 de outubro.
O que aconteceu
O Decreto-Lei n.º 148/2026, publicado no Diário da República em 20 de julho de 2026, mudou as regras da ação social no ensino superior. Segundo o texto, o preço cobrado por cama nas residências fica limitado ao custo de oferecer essa cama, e o preço para estudantes bolseiros não pode passar de 30% do IAS (Indexante dos Apoios Sociais, o valor de referência dos apoios em Portugal). O preço máximo para bolseiros tem de incluir todos os custos do alojamento.
Segundo o Governo, o teto anterior era de 17,5% do IAS, cerca de € 94. Com o IAS de 2026, de € 537,13, os 30% dão € 161,14, segundo a Rádio Universitária do Minho (RUM).
Nas residências da UMinho, os novos preços valem desde 1 de outubro de 2026. Setembro manteve os valores do ano anterior, segundo os Serviços de Ação Social da UMinho (SASUM), ouvidos pela RUM.
Um movimento de estudantes, o Resiste.UM, nasceu de um abaixo-assinado contra a subida e diz ter reunido mais de 500 assinaturas em cerca de duas semanas, segundo a Braga TV. O movimento convocou a manifestação de 21 de outubro.
| Residência | Quarto individual | Quarto duplo (por cama) |
|---|---|---|
| Santa Tecla | € 185 a € 190 | Não informado nas fontes |
| Azurém | € 185 a € 190 | Não informado nas fontes |
| Prof. Lloyd Braga | € 190 (mobilidade reduzida) | € 161,14 |
| Fábrica Confiança | € 200 | Não informado nas fontes |
Valores segundo a RUM e O Minho, a partir da tabela publicada pelos SASUM. O teto legal para bolseiros é de € 161,14 (30% do IAS de 2026). Bolseiros deslocados recebem complemento de alojamento de € 161,14.
O que muda para você
Na tabela de 2026/2027, os bolseiros pagam por quarto individual entre € 185 e € 190 nas residências de Santa Tecla e de Azurém, € 190 na Residência Prof. Lloyd Braga e € 200 na Residência da Fábrica Confiança, segundo O Minho e a RUM. Os estudantes dizem que esses valores passam do teto de € 161,14 e pedem que nenhum bolseiro pague acima dele e que quem já pagou a mais seja compensado.
Um morador da Residência Prof. Lloyd Braga disse à RUM que, no ano passado, a cama em quarto duplo custava € 91,44 para bolseiros. Na nova tabela, custa € 161,14: uma diferença de € 69,70 por mês.
Os SASUM dizem que os preços seguem o decreto-lei e a Portaria n.º 331-B/2026/1, que a diferença entre quarto individual e duplo reflete privacidade e conforto, e que os preços foram aprovados por órgãos onde os estudantes estão representados. Segundo os SASUM, os estudantes bolseiros com estatuto de deslocado recebem um complemento mensal de alojamento do mesmo valor, € 161,14.
O Governo confirma que o bolseiro deslocado recebe apoio de alojamento de € 161 e tem prioridade nas camas das residências. A partir de 2026/2027, quem escolher alojamento privado não perde esse apoio.
O movimento também protesta contra a intenção de subir as propinas, discutida no Orçamento do Estado para 2027, e contra mudanças nas regras das bolsas, segundo a Braga TV.
O que fazer agora
- Mora numa residência da UMinho e é bolseiro? Confira no recibo quanto paga por mês e compare com o teto de € 161,14. Os SASUM defendem que os preços seguem a lei.
- Se é bolseiro deslocado, confirme com os SASUM se o complemento de alojamento está sendo pago.
- Dúvidas sobre o preço? A Divisão de Alojamento dos SASUM é o contato oficial.
- Manifestação: 21 de outubro, às 13h, no campus de Gualtar.
- Estudante brasileiro: veja se você se enquadra nas regras da bolsa antes de contar com o apoio (abaixo).
O que isso significa
Para o estudante bolseiro deslocado, o complemento de € 161,14 cobre o novo teto de um quarto duplo. Quem paga mais que isso por um quarto individual arca com a diferença, e é esse o ponto que os estudantes contestam. O bolseiro que não é deslocado não recebe o complemento e paga o preço da cama.
Para o estudante imigrante, a bolsa não é automática. O decreto lista como possíveis bolseiros, entre outros, os cidadãos de países fora da União Europeia com autorização de residência permanente ou com estatuto de residente de longa duração, os que vêm de países com acordos de cooperação que prevejam esses benefícios e os que vêm de países que dão o mesmo tratamento aos estudantes portugueses. O texto não cita o Estatuto de Igualdade: quem o tem deve confirmar a situação nos serviços de ação social.
Já os apoios indiretos, como cantina e acesso às residências, valem para todos os estudantes matriculados, segundo o decreto. Os bolseiros têm prioridade nas residências.
Em que pé anda
20 de julho de 2026
Decreto-Lei n.º 148/2026 publicado no Diário da República
10 de agosto de 2026
Portaria n.º 331-B/2026/1 aprova o regulamento de bolsas (segundo os SASUM)
1 de outubro de 2026
Novos preços entram em vigor nas residências da UMinho
21 de outubro de 2026
Manifestação de estudantes no campus de Gualtar, às 13h
Informação válida em 13 de outubro de 2026. Não substitui aconselhamento jurídico: confirme sempre no órgão responsável.
Fontes
- Diário da República: Decreto-Lei n.º 148/2026
- Governo: novo sistema de ação social no ensino superior
- Braga TV: estudantes da UMinho convocam manifestação
- RUM: estudantes contestam aumentos nas residências
- RUM: SASUM justificam preços dos quartos
- O Minho: estudantes contestam valores nas residências


